A caminhada percorre uma região de serranias altas do nordeste algarvio, com os seus montes típicos (povoados dispersos) e os seculares pomares de sequeiro, onde se notabilizam as amendoeiras.
O Cerro de Alta Mora proporciona uma magnífica vista sobre as serranias envolventes, pontuadas por azinheiras seculares e por amendoeiras que, na época da floração (janeiro e fevereiro), cobrem as encostas de branco. Olhando para sul, advinha-se o oceano e a ponte do Guadiana anuncia a foz do grande rio do Sul.
As ruínas da povoação do Caldeirão surgem entre pomares de sequeiro onde dominam as amendoeiras, acompanhadas por figueiras, alfarrobeiras e oliveiras. Azinheiras e sobreiros rodeiam-se de matos altos com esteva, sargaço, rosmaninho, tojo-do-Sul e alecrim.
Funchosa-de-Cima e Funchosa-de-Baixo são montes típicos do interior algarvio: vale a pena notar a sua arquitetura rural, os vestígios da criação de gado e as hortas de subsistência na várzea do Barranco da Funchosa onde não faltam videiras, citrinos, figueiras e nespereiras.
A caminho das travessias a vau pela Ribeira do Beliche, as amendoeiras, quando em flor, cobrem de branco as encostas e o caminho, e é possível avistar aves residentes como a toutinegra-de-cabeça-preta, a cotovia-do-monte ou o trigueirão. Já na ribeira, apesar do canavial dominar a paisagem, ainda se encontram troços com a vegetação ribeirinha nativa: loendro, tamargueira e as aromáticas poejo e menta-da-ribeira. Com atenção, descobrem-se espécies como a cobra-de-água e o cágado-comum.
De volta a Alto Mora, a vista alonga-se pelo vale do Beliche e cerros envolventes. A paisagem exibe um mosaico de plantações de pinheiro-manso, bosques de azinho, pomares de sequeiro, matagais com rosmaninhais e tojais, e manchas de esteval. É possível encontrar rebanhos de cabra-algarvia ou que espécies da fauna selvagem se cruzem no caminho, sobretudo lebres, coelhos e perdizes.
Início do percurso
37º 18' 21.66'' N 7º 35' 33.21'' W