O percurso dá a conhecer povoações típicas do Caldeirão e o ambiente húmido e fresco dos barrancos serranos. O caminho desenvolve-se ao longo do Barranco das Lages, um vale de xistos e grauvaques esculpido pela força da água, sendo comuns grandes lajes de grauvaque.
Atravessadas as povoações de Cabanas e Lajes, e descendo por caminhos rurais em direção ao vale, observam-se sobreirais frondosos e os matos que os acompanham, dominando os rosmaninhos e os sargaçais, sobretudo a esteva, o rosmaninho-verde e o estevão, típicos dos xistos serranos. Esta cobertura vegetal é muito interessante para uma série de aves, sobretudo passeriformes (e.g. papa-figos, trapadeira-azul, chapim-real).
No vale, diversas linhas de água cortam as formações de xisto-grauvaque. Nestes locais, salgueiros fazem-se acompanhar por um matagal serrado de silvados, fetos e tabúas, surgem espécies típicas das ribeiras algarvias como os loendros e plantas anuais vistosas como o alho-de-verão.
Nas zonas de várzea do principal curso de água, encontram-se pequenas hortas e o Poço do Ribeirinho, uma antiga fonte onde se levava o gado a beber, incluída no património hidráulico da região.
Deixando o vale para trás, o caminho para o Cerro da Ursa faz-se por caminhos rurais e por uma vereda com degraus de laje de grauvaque. O cerro é o ponto mais alto deste local, oferecendo uma vista panorâmica tanto para o barranco, como para as serranias envolventes.
A zona mais elevada do percurso, em Cabanas e ao longo da cumeada, até começar a descer para o vale, pode ser um bom local para observar algumas das aves mais interessantes da serra do Caldeirão como a águia-cobreira ou o corvo.
Início do percurso
37º 14' 58.29'' N 7º 49' 04.48'' W