O percurso desenvolve-se ao longo de uma rede de caminhos seculares que serpenteiam entre o barrocal e a serra, dando a conhecer tradições ancestrais agrícolas, de gestão da água, e do aproveitamento de matérias-primas como a argila.
Em plena paisagem rural, percorrem-se caminhos frescos ladeados por muros de pedra seca e frondosas oliveiras, alfarrobeiras e azinheiras, até se alcançar um poço secular, o Poço do Monte Negro que exibe exímios detalhes construtivos.
No Vale do Bengado faz-se a fronteira entre o Algarve de prata (domínio do barrocal calcário) e o Algarve pardo (território serrano, de xistos e grauvaques), e as encostas encontram-se já revestidas por bosque de sobro, árvore calcífuga (que foge dos solos calcários), observando-se sobreiros monumentais. Passando a ribeira a vau, observa-se a típica vegetação ribeirinha da região: silvados, loendral, freixial, choupal, e, no leito, a aromática hortelã-da-ribeira.
Um pequeno desvio dá a conhecer uma das inúmeras minas de água deste vale. As minas abastecem de água as culturas de regadio do Bengado; nestas hortas férteis cultiva-se tomate, pimento, melão e melancia, milho, batata-doce e couves, e plantam-se pomares de citrinos.
No Caminho Bárbara Dias, percorre-se um troço de caminho romano, apercebendo-se o visitante da bem estruturada rede de caminhos rurais que dá acesso a fontes, hortas, moinhos e vilas.
No telheiro do terracota do Bengado utilizam-se as argilas vermelhas do Grés de Silves para produzir artesanalmente telha mourisca, azulejos e tijolo burro, materiais característicos da arquitetura mediterrânica.
De volta ao Barrocal, vale a pena visitar o Geoponto da Mesquita onde se observa a extração de grandes blocos calcários ricos em fósseis marinhos, sobretudo espongiários, crinoides e corais. Trata-se da formação Brecha avermelhada da Mesquita, uma rocha ornamental de beleza singular.
Início do percurso
37º 08' 49.16'' N 7º 51' 16.31'' W