Esta Paisagem Protegida abrange quase 400 hectares entre Querença e Tôr. É um local privilegiado para observar paisagens rurais e património hidráulico, bem como fauna e flora dos habitats ribeirinhos da Benémola.
O percurso inicia no sítio Fica Bem, perto de um antigo forno de cal, onde se produzia cal através da cozedura dos calcários. Seguindo ao longo do vale, observa-se o aproveitamento rural da várzea da ribeira e a frondosa galeria ripícola.
Na envolvente da ribeira podem ser encontradas noras, azenhas, açudes e levadas. Estas infraestruturas de inspiração árabe testemunham o complexo sistema hidráulico que outrora tornou possível a gestão comunitária da água e o seu transporte pelas levadas até aos campos de regadio.
Abastecida por nascentes como o Olho e a Fonte da Benémola, das mais caudalosas do aquífero Querença-Silves, a ribeira da Benémola mantém o caudal em cerca de 60 % durante a época estival. A ribeira exibe uma cortina densa de salgueiros, freixos, choupos, folhados, loendros, tamargueiras, silvados e canaviais. Junto às margens nidificam o guarda-rios, o rouxinol e a alvéola-cinzenta. A água atrai também outras aves como felosas, toutinegras, pardais, pica-paus, o gaio e o abelharuco. O vale encaixado propicia a presença de rapinas, sobretudo águias e mochos.
As encostas calcárias do vale encontram-se revestidas por uma comunidade endémica onde dominam o zimbro e o carrasco, acompanhados por plantas aromáticas como o alecrim, o rosmaninho, o funcho e o tomilho nas encostas soalheiras, e pelo medronheiro, aroeira, loureiro, zambujeiro e alfarrobeira nas encostas umbrias.
Os cerros na extrema sudoeste da Paisagem Protegida são talhados em terrenos xistosos e encontram-se revestidos por bosques de sobreiro e azinheira, sendo interessante observar a transição entre o barrocal e este ambiente. Neste local encontra-se a ruína de um moinho de água que serviu as populações na moagem dos cereais.
Início do percurso
37º 11' 55.06'' N 8º 00' 15.96'' W