A caminhada avança mata adentro, pelo Perímetro Florestal do Barão de São João, percorrendo pinhais e bosques de sobro, até à Pedra do Galo, um vestígio da cultura megalítica da Península ibérica.
Na proximidade da povoação, que vale a pena percorrer para apreciar a arquitetura tradicional das casas térreas com as típicas chaminés algarvias, o caminho faz-se ladear por eucaliptal e acacial.
O parque de merendas da Mata Nacional instalou-se à sombra do pinhal-manso. A partir deste ponto, inicia-se uma descida que acompanha um barranco sombrio e fresco. Sob as copas dos pinheiros surgem medronhais, tojais (sobretudo tojo-gatum) e estevais onde dominam a esteva e o sargaço.
O caminho embrenha-se bosque adentro e a atmosfera torna-se húmida. A vegetação mediterrânica cresce em altura e diversifica-se: surgem sobreiros e medronheiros frondosos, acompanhados por aroeira e aderno-bastardo. Os urzais, com queiró e urze-vermelha, e os tojais com tojo-prateado, adensam-se. Nas clareiras encontram-se estevais, rosmaninho e tojo-do-Sul.
À medida que se sobe em direção aos aerogeradores dispostos pela cumeada de um cerro do Espinhaço de Cão, percorre-se uma vasta mancha de pinhal com tojais e estevais. Aqui podem observar-se lebres e coelhos-bravos, ou sinais de javali e de carnívoros como a raposa, a geneta ou o sacarrabos.
Perto do estradão que acompanha a linha de aerogeradores, alcança-se, já em plena área de mata de produção, a Pedra do Galo, fragmento de um menir talhado em calcário (presumivelmente do Neolítico). Neste local, avistam-se os sucessivos cerros do Espinhaço de Cão, bem como a Serra de Monchique e o ponto mais alto do Algarve, a Fóia. Nos bosques envolventes, é possível detetar um conjunto alargado de passeriformes e de aves de rapina como o mocho-galego, a águia-de-asa redonda e até a águia-de-Bonelli.
Início do percurso
37º 18' 22.67'' N 8º 46' 46.90'' W