Arca de Noé algarvia
O mítico promontório de Sagres abriga uma grande biodiversidade de espécies e habitats naturais, muitos deles exclusivos a nível mundial. A migração outonal das aves, ou os ninhos das cegonhas nas falésias, são de uma beleza incomensurável.
Devido à sua posição geográfica, variedade de paisagens e condições climatéricas, fortemente marcadas pela influência atlântica e mediterrânica, esta região do sudoeste algarvio e costa vicentina, Reserva Biogenética do Conselho da Europa desde 1988, constitui um núcleo de importantes recursos marinhos e ecológicos.
O litoral escarpado entre o Promontório de Sagres e o cabo de São Vicente desdobra-se em diversos habitats costeiros, incluindo sapais, falésias, dunas e lagunas que favorecem uma flora rara e específica, muitas vezes mencionada como única no mundo. Tanto assim é que os nomes científicos dessas plantas - Biscutella Vicentina, Diplotaxis Vicentina e Hyacinthoides Vicentina - indicam a sua proveniência e o facto de só existirem nesta região.
Entre as espécies que se reproduzem na região, é de realçar a avifauna abundante e diversificada, que conta com 25 espécies de aves nidificantes nas falésias. Aliás, a Reserva Biogenética de Sagres é o único local do mundo onde a cegonha branca faz o ninho em arribas marítimas e o único local do país onde existe uma colónia de lontras que utiliza o meio marinho para procurar alimento.
Destaque ainda para o magnífico espectáculo da migração outonal de milhares de aves planadoras, nomeadamente de rapina, que inclui águias-calçadas, águias-cobreiras, gaviões, falcões-abelheiros, grifos e abutres do Egipto.
