Pela Serra do Caldeirão
Ao entrarmos na Serra do Caldeirão, entramos também no “outro” Algarve, o das gentes genuínas, das artes tradicionais, da excelente gastronomia. A paisagem muda a sua cor à medida que prosseguimos o passeio. O verde das florestas de eucalipto, sobreiro e pinheiro dá lugar aos campos cultivados de trigo e cevada. Por entre os montes ouvem-se ribeiras correndo. Aqui e ali contactamos com as gentes nos labores diários: um tirador de cortiça, um pastor, um moleiro, uma mulher a trabalhar no tear, nas hortas.
Percorremos as ruas estreitas em pedra, admiramos as chaminés, os fornos, os telhados inclinados, os muros caiados, os pátios e os poiais. Entramos nos museus e vivemos as histórias de antigamente. Redescobrimos as artes e técnicas que ainda perduram no artesanato local. Um passeio a pé conduz-nos à tranquilidade e o ar puro transporta o aroma da esteva, do rosmaninho e do mato. Para satisfazermos todos os nossos sentidos, só falta provar o queijo, o vinho, a aguardente, os enchidos, o pão e as filhós.
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Começamos o nosso percurso no centro histórico da vila de São Brás de Alportel, entre as casas térreas e caiadas, de arquitectura popular e os prédios apalaçados dos antigos industriais e comerciantes da cortiça, com fachadas cobertas por azulejos, cantarias lavradas e varandas de ferro. Percorremos a “Calçadinha”, uma via romano-medieval, testemunho dos primeiros fluxos mercantis na zona. Visitamos a Igreja Matriz (1), uma construção original do séc. XV, com pinturas de santos do séc. XVII, e a Capela do Senhor dos Passos em talha dourada. Do adro desta Igreja não podemos deixar de admirar a paisagem envolvente. Logo ao lado, situa-se o Jardim do Episcopado (2) também conhecido por “Verbena”, com o seu bonito coreto. Este é o jardim anexo ao Palácio Episcopal, construído entre o séc. XVII e o XVIII para os bispos do Algarve. Recentemente, foram instaladas no jardim as piscinas públicas. De seguida vamos visitar as indumentárias das gentes algarvias de antigamente, expostas no Museu Etnográfico do Trajo Algarvio (3) integrado na Casa da Cultura António Bentes.
Para observar de perto o rico património natural desta zona onde o sobreiro domina a paisagem, recomendamos que se aventure pelas bonitas estradas que conduzem a Loulé, ao Barranco do Velho ou a Tavira.
Na saída de São Brás de Alportel para o Barranco do Velho, pela EN 2, vislumbra-se num ponto elevado a Pousada de São Brás, uma estrutura de alojamento que faz parte da rede de pousadas nacionais e é, ao mesmo tempo, um excelente miradouro sobre a vila e a costa litoral. Antes da aldeia do Alportel, desviamos para Tesoureiro onde se podem comprar doces e bolos regionais.
Um pouco mais à frente, Alportel destaca-se pelo seu casario branco com típicas chaminés de formatos vários e coberturas em telha de canudo. Aqui visitamos a Ermida de São José (4) e podemos constatar, pela arquitectura das casas ao longo da estrada, a grande riqueza que existiu naquela região, proveniente sobretudo da extracção corticeira. Continuando pela EN 2, seguimos para a Fonte Férrea (5) datada de 1820. Situada num vale rodeado de árvores e com um riacho que corre durante quase todo o ano, é um local excelente para piqueniques, pois está equipada com mesas, bancos e vários assadores em pedra e tijolo.
Chegamos ao Barranco do Velho, uma pequena aldeia localizada nas portas da Serra do Caldeirão, zona de grande tradição corticeira, onde a cor dominante da paisagem é o verde dos sobreiros e das azinheiras. Dificilmente se encontram “tiradores” de cortiça, mas em Junho, se contactarmos o Gabinete Técnico-Florestal, é possível assistir a esta tradição. Subimos à Capela (6) de traços tipicamente algarvios, erguida em 1944 no cimo de um monte. O seu adro faz desta um dos mais maravilhosos miradouros do Algarve, abrangendo vastos horizontes de montes cobertos de sobreiros e medronheiros. Esta aldeia é famosa pelo seu medronho. Há uma pequena casa de artesanato onde se podem adquirir produtos serranos.
Do Barranco do Velho seguimos para Cachopo pela EN 124. Mais à frente, rodeada por montes cobertos de sobreiros, encontramos a Feiteira, uma povoação dispersa ao longo da estrada. Podemos parar no Centro de Descoberta do Mundo Rural da Feiteira (7) localizado na antiga Escola Primária, junto à estrada principal. Os amantes do pedestrianismo encontram aqui uma rede de percursos pedestres que permitem um conhecimento profundo do território e um contacto próximo com a natureza. Estes percursos ligam, através de uma grande rota (com 45 km), este Centro de Descoberta a outros dois, localizados no “monte” da Mealha e no “monte” das Casas Baixas.
A paisagem até à aldeia de Cachopo é dominada por uma grande zona florestal com espécies protegidas por lei. De destacar os muitos moinhos de vento, infelizmente bastante degradados, que se espalham pelos montes.
Chegamos a Cachopo, uma pequena aldeia do séc. XVI. Nesta zona é a agricultura que providencia o principal sustento, destinando-se essencialmente ao consumo doméstico e sendo complementada pela criação de animais.
Logo à entrada, fazemos uma paragem na Fonte Férrea de Cachopo (8), um local muito bonito, com águas férreas e muito arborizado, próprio para piqueniques e onde se podem encontrar bons exemplares da flora local.
Já na aldeia, é de visitar o Pólo Museológico (9) que ilustra bem a identidade serrana. Percorrendo as ruas é de registar a arquitectura tradicional serrana, as casas em xisto ou caiadas, poiais, beirados, fornos comunitários, eiras, fornalhas e chaminés rendilhadas. As maravilhas do artesanato local encontram-se numa unidade de tecelagem manual, “A Lançadeira” (10). Aqui podemos adquirir ou encomendar excelentes peças ou simplesmente conhecer as técnicas antigas e como funcionavam os teares. Subindo as ruelas que conduzem à Igreja de Santo Estevão, passamos pelas oficinas do albardeiro e do ferreiro, dois artesãos que ainda trabalham como nos outros tempos e que podem ser visitados. Paramos depois para uma visita à Igreja de Santo Estevão (11), um templo com uma só nave e um altar-mor com imagens de Santo Estevão e São Sebastião, ambas do séc. XVIII.
Para os amantes da arqueologia, recomendamos um pequeno desvio seguindo a estrada 504 até ao “monte” da Mealha, onde destacamos a Anta das Pedras Altas (12) e a Anta da Masmorra (13), monumentos megalíticos do período Neolítico final. Ainda na Mealha é de visitar os Palheiros Redondos (14), construções circulares feitas em pedra solta e terra, com telhados de colmo, que em tempos serviram de casa aos seus proprietários. No Centro de Descoberta do Mundo Rural da Mealha (15) estão disponíveis informações sobre a rede de percursos pedestres existentes nesta zona.
Para os curiosos da arquitectura local, sugerimos um passeio até ao “monte” de Casas Baixas, pela estrada 505, onde se podem observar exemplares genuínos da construção serrana, como sejam os fornos comunitários, casas em pedra, ruas estreitas. Também aqui existe um Centro de Descoberta do Mundo Rural (16) e uma rede de percursos pedestres.
Seguimos pela EN 397 em direcção a Água de Fusos onde existe uma excelente área de piquenique com miradouro. Aproveitamos para desfrutar da excelente vista sobre a costa.
Na descida para Tavira encontram-se pequenas casas de petiscos onde se pode apreciar a gastronomia local.
A poucos quilómetros de Tavira, viramos para a Asseca e vamos encontrar o Pego do Inferno (17), uma zona de grande riqueza ambiental e paisagística. É uma excelente área de lazer com uma cascata cujas águas caem de 5 metros de altura formando uma piscina muito profunda, óptima para banhos. Recentemente foi sujeita a uma obra de melhoramento dos acessos o que valorizou imenso o local.
Retomamos a estrada em direcção a Tavira e na rotunda apanhamos a EN 270 para Santa Catarina. Passamos pela Fonte do Bispo onde existe um Centro Cultural e uma Casa de Turismo em Espaço Rural
