Percorremos as Rotas do Infante D. Henrique entre arribas, falésias, dunas, areais sem fim e um imenso mar. É "o fim do mundo" no coração do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.
Talvez se observe alguma águia, ou lince, lontra ou outros mais.
Menires enigmáticos, fortes a lembrar corsários e piratas, castelos de reis e princesas. Miradouros com o Atlântico ao longe num horizonte sem fim. E o vento por companhia. Descemos a praias rebeldes, enseadas tranquilas, porto de pesca tradicionais, ribeiras e mais ribeiras. Em todos os lugares o sabor a mar. Perceves, cataplanas, muito peixe e marisco. E o gosto da terra. Batata doce, feijão, grão. Por entre pinhais e matagais, subimos por encostas de casinhas brancas, entramos em pequenas igrejas e museus locais. Encantam-nos as gentes e os seus testemunhos.
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Budens - Vila do Bispo 20 Kms
Este é um percurso pelo Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Caminha-se ao longo de oitenta mil hectares por imponentes arribas xistosas na costa ocidental e calcárias na costa sul.
Partimos de Budens, povoação de ruas pitorescas, onde há a destacar a Igreja Matriz. Descendo em direcção à costa, no local de Boca do Rio, podemos visitar o Forte de S. Luís ou de Almádena. Este forte, tal como outros do percurso, foi construído para proteger as armações da pesca do atum de corsários e piratas. Voltamos à estrada que liga Budens à Raposeira para visitar a Ermida de Sto. António. Mais à frente, a não perder, encontra-se a Ermida de N. Sra. de Guadalupe, local onde o Infante D. Henrique orava. Hoje é Monumento Nacional. Os capitéis, decorados com ramos, folhagens, conchas e cabeças humanas são de grande riqueza.
Chegamos à Raposeira, uma pequena aldeia de casas com portais dos sécs. XV e XVI, que foi um dos locais de habitação do Infante D. Henrique. A Igreja Matriz da Raposeira é composta por uma só nave, apresenta um portal Manuelino e uma torre sineira terminada em pirâmide octogonal. Esta zona é de grande riqueza arqueológica. Desviamos para a estrada que dá acesso à Ingrina na descoberta do Menir de Milrei e do Menir do Padrão, o único que se encontra erguido na zona.
Vila do Bispo > Sagres 11km
Em Vila do Bispo visitamos a Igreja Matriz de N. Sra. da Conceição que tem uma escadaria de acesso à torre onde existem quatro sineiras. Anexo à igreja, no Museu de Arte Sacra expõem-se, entre outras, uma cruz românica com a imagem de Cristo Coroado e duas custódias. Frente à Igreja, está uma oficina de lãs, a “Fios com História”, que mostra o processo tradicional, desde o tratamento da lã e fiação até à confecção de artigos. E não podemos sair de Vila do Bispo sem saborear os perceves!.
Aconselhamos um desvio até à Praia do Castelejo onde fica o Miradouro do Castelejo. Daí observa-se o perímetro florestal de Vila do Bispo, a panorâmica da costa e a Torre de Aspa, próxima da Praia do Castelejo. Os vestígios da torre persistem junto do actual marco geodésico.
Saímos em direcção a Sagres pela antiga estrada e paramos no Monte Salema à descoberta do conjunto de Menires do Monte dos Amantes. São 9 pedras monumentais e enigmáticas, com formas fálicas e diversas inscrições.
Seguimos para o Cabo de São Vicente (18), o ponto mais a sudoeste da Europa Continental, denominado como “o fim do mundo”. É uma referência nas rotas marítimas que interligaram a Europa à América entre o séc. XIII e o séc. XVI. Visitemos então o Complexo do Forte do Cabo de S. Vicente (19), onde se destacam o Farol e um Espaço Museológico sobre o tema. O cabo oferece uma óptima vista panorâmica sobre o mar e as arribas. Os calcários dolomíticos culminam em imponentes falésias de 100 m de altura. As areias preenchem as fendas no topo dos rochedos, proporcionando substrato a várias plantas. Junto à Praia do Beliche fica a Reserva Biogenética de Sagres (20). O clima é húmido e os ventos fazem-nos companhia dia e noite. A paisagem da zona é caracterizada por pinheiros bravos e por matagais. Por aqui passam um grande número de aves no seu processo de migração, fazendo uma pausa para se alimentarem. De Maio a Outubro podemos observar as aves aquáticas e de rapina. Voltamos a subir em direcção a Vila do Bispo seguindo na estrada EN 268 para Aljezur.
Voltamos à EN 120 e vamos até Aljezur onde fazemos uma pausa para apreciar o prato de feijão com batata doce. Em Novembro realiza-se a “Feira da batata doce e do perceve” organizada pela “Associação de Produtores de Batata Doce”. Mas o sargo, douradas e robalos também fazem parte das delícias gastronómicas. No artesanato local, é de procurar a cestaria, cadeiras de tabúa e trabalhos em latão e cobre.
Aljezur, fundada pelos Árabes no séc. X, estende-se ao longo de uma colina e desce em direcção à ribeira. Na parte nova da vila as habitações envolvem a Igreja de N. Sra. da Alva (27). Conhecida como a Igreja Nova, possui uma valiosa imagem de N. Sra. da Alva. Podemos ainda visitar a Igreja da Misericórdia (28) onde numa das suas alas funciona o Museu de Arte Sacra.
A não perder é o Castelo de Aljezur (29) datado do séc. X, com um vasto espaço muralhado e duas torres. Daqui é possível ter uma óptima panorâmica sobre a serra. A Fonte das Mentiras (30) está situada no cerro do castelo. Diz a lenda que há uma passagem subterrânea até ao castelo e que, aquando da conquista da vila, lá se escondeu uma bela moura amada por um cristão.
Recomendamos a visita à Casa Museu Pintor José Cercas (31) e, na parte velha da vila, ao Museu Antoniano (32), ao Museu de Arte Sacra “Monsenhor Francisco Pardal” (33) e ao Museu Municipal (34) que está instalado no edifício dos antigos Paços do Concelho e integra a Galeria Municipal, esta com um importante núcleo arqueológico e outro etnográfico.
A bonita Ribeira de Aljezur ladeia a estrada para a Praia da Amoreira e as Dunas da Praia da Amoreira (35). Nos topos das falésias e nos estuários existem extensos sistemas dunares que albergam uma flora única. A costa é de altas e escarpadas falésias. Nas praias, pequenos cursos de água desaguam no Atlântico.
Voltamos para a estrada principal até Rogil. A escolha gastronómica é difícil. Saborear a cataplana, a caldeirada de peixe, o arroz de marisco ou a feijoada de búzios? No final deste percurso avista-se mais uma colina que abriga Odeceixe. Para compreender o processo de transformação da uva até ao vinho, visite o Pólo Museológico Adega Museu (36). Recomendamos também a Igreja Matriz de Odeceixe (37), ou a subida ao cerro até ao moinho de vento, onde funciona o Pólo Museológico do Moinho (38). Para terminar o percurso vamos dar uma volta pelo vale de Odeceixe, tomamos banho e observamos as aves na Ribeira de Seixe. Subimos ao Miradouro da Praia de Odeceixe (39) e deixamos o olhar percorrer o horizonte.
